PARTÍCULAS PLÁSTICAS ANTROPOGÊNICAS E OUTRAS VARIÁVEIS
AMBIENTAIS: PREOCUPAÇÃO ECOLÓGICA EMERGENTE
Nome: DANDARA SILVA CABRAL
Data de publicação: 10/08/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ADRIANA REGINA CHIPPARI GOMES | Examinador Externo |
| DOUGLAS DA CRUZ MAFTOS | Examinador Externo |
| FABIAN SA | Presidente |
| FABIO CAVALCA BOM | Examinador Interno |
| RAFAEL MENDONGA DUARTE | Examinador Externo |
Resumo: Os ecossistemas aquáticos estão submetidos a pressões crescentes decorrentes da
intensificação de atividades antrópicas e das mudanças climáticas, incluindo a
contaminação por partículas plásticas antropogênicas, a acidificação dos oceanos e o
aumento da temperatura da água. Esses estressores podem ocorrer simultaneamente,
alterando a biodisponibilidade de contaminantes, a sensibilidade dos organismos e a
magnitude das respostas biológicas. Nesse contexto, esta tese avaliou, a ocorrência, a
exposição e os efeitos de contaminantes plásticos e variáveis ambientais emergentes em
diferentes organismos aquáticos, combinando investigação de campo e ensaios
ecotoxicológicos experimentais com invertebrados e vertebrados. Em campo, foram
quantificados microplásticos e bisfenol A (BPA) em tecidos comestíveis do mexilhão
Perna perna, espécie de relevância ecológica e alimentar no litoral brasileiro. Os
microplásticos foram detectados nos organismos analisados, com predominância de fibras
azuis e pretas, e polímeros como PET, PU, PVC, PS, PP e PA. O BPA também foi
quantificado nos tecidos, permitindo estimar a exposição alimentar humana e indicar
maior preocupação em cenários de alto consumo de bivalves. Experimentalmente,
bivalves marinhos sentinela, incluindo Magallana gigas (Ostra-do-pacífico) e Mytilus
galloprovincialis (mexilhão-do-mediterrâneo), foram expostos a microplásticos de
polietileno (PE) e poliestireno (PS), isoladamente ou em combinação com condições
simuladas de aquecimento e acidificação. As respostas foram avaliadas por
biomarcadores de estresse oxidativo, biotransformação, neurotoxicidade e
genotoxicidade, incluindo catalase (CAT), glutationa S-transferase (GST), peroxidação
lipídica (LPO), acetilcolinesterase (AChE) e ensaio cometa. Os resultados indicaram
respostas dependentes do polímero, da concentração, do tecido e do contexto ambiental,
com alterações bioquímicas e dano ao DNA em bivalves expostos. Adicionalmente,
embriões e larvas de Danio rerio (Zebra fish) foram utilizados para avaliar efeitos
subletais de microplásticos de diferentes tamanhos durante o desenvolvimento inicial,
incluindo eclosão, contrações espontâneas, frequência cardíaca, morfologia e
comportamento locomotor. De forma integrada, a tese demonstra que contaminantes
plásticos podem atuar em múltiplos níveis de organização biológica, produzindo respostas
distintas em organismos invertebrados e vertebrados. Os achados reforçam que a
toxicidade dos microplásticos depende do organismo, polímero, tamanho das partículas,
tecido analisado e interação com variáveis ambientais, evidenciando a necessidade de
abordagens multiespécies e multiestréssores para avaliar riscos ecológicos e sanitários em
ambientes aquáticos.
