CONTAMINAÇÃO HISTÓRICA POR MICROPARTÍCULAS
ANTROPOGÊNICAS EM AMBIENTES SEDIMENTARES COSTEIROS DO
BRASIL
Nome: DANIELA GADENS ZANETTI
Data de publicação: 27/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CYBELLE MENOLLI LONGHINI | Examinador Externo |
| FABIAN SA | Presidente |
| ÍTALO BRAGA DE CASTRO | Examinador Externo |
| TOMMASO GIARRIZZO | Examinador Externo |
| VALERIA DA SILVA QUARESMA | Examinador Interno |
Resumo: Microplásticos (MP) e micropartículas antropogênicas (AMP) são pequenas partículas sintéticas,
semi-sintéticas ou naturais de até 5 mm, compostas por polímeros e aditivos funcionais, que podem
resultar da fragmentação de itens plásticos e materiais antrópicos maiores ou serem produzidos
intencionalmente em tamanhos pequenos, e podem incluir fibras têxteis, fragmentos de tinta,
fragmentos de pneu e fragmentos de resíduos sólidos diversos. A presença difusa dessas partículas
nos ecossistemas mostra que mesmo locais sob proteção ambiental são impactados, indicando a
necessidade de readequação de estratégias de proteção integradas. Dentre as matrizes ambientais,
o sedimento atua como indicador da qualidade ambiental e como agente de reconstrução histórica
de contaminação. Deste modo, a presente tese objetivou caracterizar o registro e o histórico de
acúmulo de micropartículas antropogênicas em sedimentos costeiros do Brasil. Primeiramente foi
realizado uma revisão sistemática da contaminação de AMPs em diferentes ambientes costeiros
brasileiros para identificar tendências de amostragem e contaminação. Evidenciamos
direcionamentos futuros para um Programa Nacional de Monitoramento, considerando questões
essenciais como a harmonização de protocolos, estabelecimento de monitoramento ambiental de
longo prazo, priorização da amostragem nas regiões Norte e Nordeste; disseminação de dados em
plataforma integrada e capacitação técnico-científica. Em seguida, foi determinado quali e
quantitativamente o histórico de contaminação por MPs e AMPs em testemunhos sedimentares do
litoral brasileiro considerando 9 testemunhos em locais com níveis distintos de ocupação humana,
indicando a presença de AMPs em todos os testemunhos amostrados, apontando a intensificação
de AMPs nos registros sedimentares de manguezais do Brasil principalmente após a década de 70
e os riscos ecológicos associados a diversos polímeros plásticos muito abundantes, como o PVC e
o poliéster. Por fim, determinamos a influência da vegetação e de fatores sedimentológicos sobre
a concentração de AMPs em testemunhos sedimentares, demonstrando a importância da vegetação
Spartina na retenção de partículas, sendo que os polímeros e pigmentos encontrados estão
relacionados com a presença de efluentes domésticos, materiais têxteis e descarte inadequado de
embalagens, com especial enfoque para o poliéster, celulose, PP, corante índigo e corante
ftalocianina de cobre. Nesta tese evidenciou-se a importância de compreender a complexidade da
problemática de AMPs e MPs em ecossistemas costeiros e marinhos, bem como os desafios
metodológicas atrelados à sua mensuração. O aprimoramento dessas abordagens é essencial para
a produção de dados robustos que subsidiem políticas públicas e estratégias para a redução da
ocorrência e concentrações ao longo dos ecossistemas costeiros e marinhos.
