MORFOLOGIA DE RECIFES SUBMERSOS NA PLATAFORMA DE ABROLHOS (BRASIL): DA RESPOSTA À VARIAÇÃO DO NÍVEL DO MAR, À HETEROGENEIDADE DO HABITAT

Nome: FERNANDA VEDOATO VIEIRA

Data de publicação: 25/06/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ALEX CARDOSO BASTOS Presidente
LAURA VIEIRA Examinador Externo
NARELLE MAIA DE ALMEIDA Examinador Externo
RENATA CARDIA REBOUÇAS Examinador Externo
TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO Examinador Externo

Resumo: A geomorfologia submarina condiciona diretamente a configuração da paisagem
marinha e dos habitats bentônicos, sendo influenciada principalmente pelas
flutuações eustáticas do nível do mar, pela taxa de sedimentação e pelo espaço
de acomodação. Durante a última deglaciação, variações nas taxas de elevação
do nível do mar resultaram em períodos de estabilização e aceleração rápida,
moldando feições geomorfológicas distintas na plataforma continental. Os recifes
desempenham um papel central nos ecossistemas marinhos, sendo
considerados áreas prioritárias para o estabelecimento de unidades de
conservação, fundamentais para o planejamento espacial marinho. Além disso,
atuam como indicadores sensíveis aos impactos das mudanças climáticas. Os
recifes submersos, por sua vez, são produtos de condições oceanográficas e de
variações de curto e longo prazo do nível do mar, refletindo, em sua posição,
morfologia e extensão, a história das mudanças ambientais e ecológicas. A
Plataforma Continental de Abrolhos abriga a maior província recifal do Atlântico
Sul, sendo o principal local de estudo sobre a evolução recifal na plataforma
brasileira. Contudo, os estudos sobre recifes submersos ao longo desta
plataforma são ainda incipientes. Compreender a extensão, evolução e
conexões entre esses recifes e os recifes emersos é fundamental para preencher
lacunas a respeito da compreensão sobre o (a gênese, evolução, morfologia e
distribuição espacial do) maior complexo recifal do Atlântico Sul. O uso de
batimetria multifeixe de alta resolução, combinada com métodos de análise
geomorfológica, constitui o escopo dessa pesquisa, visando compreender os
processos de formação, evolução e afogamento de diferentes recifes
previamente conhecidos e ainda pouco mapeados na Plataforma de Abrolhos. A
partir dos dados morfológicos, foram identificados dois grupos principais de
recifes submersos na porção sul da plataforma de Abrolhos, entre 14 e 35 metros
de profundidade. Esses grupos apresentam associação com diferentes feições
do fundo marinho, incluindo formas lineares (longitudinais e transversais),
bancos sedimentares e vales incisos, indicando diversidade de processos
geomorfológicos e origens distintas. Já ao norte da plataforma de Abrolhos o
mapeamento acústico de alta resolução revelou mais de 34 mil estruturas
recifais, desde pináculos a bancos recifais, evidenciando uma heterogeneidade
morfológica significativa. Por fim, as áreas foram comparadas (aspectos
morfológicos) e correlacionadas aos eventos eustáticos pós_Último Máximo
Glacial e a presença de estruturas pleistocênicas remanescentes. Assim, a
Plataforma Continental de Abrolhos preserva feições únicas que registram
mudanças paleoambientais, funcionando como arquivos geológicos dos pulsos
de degelo e variações do nível do mar. A interação entre eustasia, topografia
pré-existente e sedimentação moldou a geodiversidade atual, destacando a
importância dos recifes submersos na compreensão da evolução do maior
complexo recifal do Atlântico Sul.

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