RESPOSTA COMPORTAMENTAL DE PEIXES TERRITORIAIS SOB INFLUÊNCIA DO PERÍODO DO DIA E DA PRESENÇA DE MERGULHADORES

Nome: FRANCIELLY ULIANA FURLANI

Data de publicação: 29/05/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
JEAN CHRISTOPHE JOYEUX Presidente
NATALIA PRISCILA ALVES BEZERRA Examinador Interno
VINICIUS J. GIGLIO Examinador Externo

Resumo: Peixes herbívoros territoriais da família Pomacentridae, popularmente conhecidos como
peixes-donzela, donzelas ou donzelinhas, desempenham um papel crucial nos recifes de coral,
sendo espécies dominantes e ecologicamente importantes. Com ampla distribuição ao longo da
costa brasileira, as donzelas são consideradas espécies-chave, atuando na manutenção da
diversidade de algas e na estruturação de comunidades bentônicas dentro de seus territórios. O
territorialismo característico dessas espécies e, consequentemente, a reduzida mobilidade no
ambiente marinho, torna as donzelas ainda mais suscetíveis a oscilações das condições
ambientais e a distúrbios de origem antrópica. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo
identificar a resposta comportamental da donzela Stegastes fuscus (Cuvier, 1830) em diferentes
períodos do dia e sob a influência do turismo de mergulho recreativo, no Arquipélago dos
Abrolhos, uma área marinha protegida. Para isso, foram realizadas filmagens subaquáticas
remotas em dois períodos do dia (manhã e tarde) sem a presença de mergulhadores recreativos;
e durante atividade de mergulho turístico guiado, com a presença de mergulhadores autônomos.
Observou-se que a dinâmica comportamental da donzela é significativamente diferente entre os
períodos da manhã vs tarde para quatro dos cinco comportamentos analisados. A ‘jardinagem’
e ‘busca por refúgio’ foram os comportamentos mais exibidos pela manhã, enquanto ‘natação’
e ‘defesa do território’ mais exibidos à tarde. Ao contrário do esperado, o ‘forrageio’ foi
equivalente entre os períodos do dia. Em resposta à presença do mergulhador durante atividade
de turismo, a dinâmica comportamental das donzelas não apresentou diferenças significativas,
tanto no “estado natural” (quando os mergulhadores estavam mais afastados dos territórios)
quanto no “estado alterado” (quando os mergulhadores estavam próximos aos territórios) para
a maioria dos comportamentos analisados, sugerindo uma possível habituação dessa espécie
aos distúrbios provenientes do turismo de mergulho. Contudo, a ‘defesa do território’ foi
observada sendo desempenhada em menor frequência pelas donzelas quando os mergulhadores
estavam próximos aos seus territórios, indicando que esses peixes podem apresentar uma
distância mínima de aproximação tolerada frente aos distúrbios causados pelos mergulhadores.
Considerando que as mudanças no comportamento das donzelas podem indicar o nível de
estresse ao qual esses peixes estão submetidos no ambiente em que vivem, é essencial que
estudos adicionais possam investigar de forma mais detalhada as alterações na dinâmica e no
papel funcional das populações. Essas informações podem guiar o manejo do turismo de
mergulho responsável em áreas marinhas protegidas, possibilitando a adoção de estratégias
mais adequadas para essa atividade, sem comprometer a integridade desses ecossistemas e das
espécies que os habitam.

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