Biologia Reprodutiva e Etologia de Gramma Brasiliensis
sazima, Gasparini & Moura, 1998.

Nome: Jonas Rodrigues Leite
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 18/09/2013
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maurício Hostim Silva Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Cláudio Luiz Santos Sampaio Examinador Externo
Eduardo Gomes Sanches Examinador Externo
Jean-Christophe Joyeux Examinador Interno
Luiz Fernando Loureiro Fernandes Examinador Interno
Maurício Hostim Silva Orientador

Resumo: Gramma brasiliensis é endêmico da costa brasileira, sendo a única espécie da família Grammatidae
que ocorre no Brasil. Habita recifes de corais e artificiais. Mesmo ocorrendo em áreas rasas, sendo
considerada um importante recurso pesqueiro para o país e tendo sido a 3a espécie mais exportada
para o mercado de peixes ornamentais, tinha a maior parte das informações bioecológicas e de seu
ciclo de vida desconhecidas. Estudos sobre a biologia reprodutiva de espécies de peixes recifais de
pequeno porte são raros no Brasil. Este estudo teve como objetivo conhecer a biologia reprodutiva e
comportamental da espécie. Foram coletados 86 G. brasiliensis através de mergulhos autônomos na
região de Taipus de Fora, Maraú, BA entre abril de 2011 e fevereiro de 2012. Foram realizados
cortes histológicos das gônadas e 80 exemplares tiveram o sexo e estágio de maturação
determinados a partir de características microscópicas, dos testículos, ovários e glândula testicular,
perfazendo 38 fêmeas e 42 machos. Os indivíduos fêmeas que apresentaram oócitos não periféricos
em conjunto com tecido da glândula testicular foram considerados peixes em início de transição de
fêmea para macho, o tamanho médio desses indivíduos foi de 42mm ± 10mm. Foi realizada a
primeira descrição da glândula testicular para a família. 13% das fêmeas e 88% dos machos
apresentaram tecido desse órgão em suas gônadas. A glândula testicular em G. brasiliensis
apresentou características relacionadas ao padrão sexual da espécie. Foram identificados três
padrões de desenvolvimento da glândula. Tanto ovários quanto testículos apresentaram esse tecido
que parece ser a primeira modificação no ovário indicando o início da inversão sexual protogínica
na espécie. Os peixes variaram em comprimento e peso total de 27 mm e 0,2 g a 96 mm e 16g,
sendo o comprimento médio das fêmeas 54 ± 15 mm diferente dos machos 65 ± 12 mm. O número
de fêmeas mostrou-se superior ao dos machos nas duas menores classes de comprimento total. Nas
classes restantes o número de machos foi superior. A relação peso-comprimento obtida para fêmeas
(PT=5E-06*CT3,2936) e machos (PT=6E-06*CT3,2554) sugere que fêmeas apresentam um
crescimento alométrico positivo e os machos um crescimento isométrico. O tamanho de primeira
maturação (CT50) obtido foi de 40 mm para fêmeas e 39 mm para machos. Os valores de IGS
apresentaram um crescimento significativo do outono até o verão para as fêmeas. O IHS apresentou
valores decrescentes entre o outono e a primavera, e um aumento no período de verão. Os dados
obtidos indicam que a reprodução da espécie ocorre praticamente o ano todo no litoral da Bahia,
com exceção do outono, e com um pico reprodutivo representativo no verão. Analisando o padrão
sexual encontrado para G. brasiliensis, foi possível determinar que a espécie apresenta
hermafroditismo protogínico diândrico. Os dados comportamentais foram obtidos através de 270
horas de observação in situ e em aquários. Foi identificado que G. brasiliensis apresenta um padrão
de comportamentos similar ao encontrado para outras espécies do gênero. O macho constrói um
ninho utilizando macroalgas em fendas e depressões no teto de cavernas e franjas recifais. Foi
compilado um etograma para a espécie com 15 comportamentos principais divididos em 5
categorias comportamentais: defesa, alimentação, nidificação, reprodução e repouso. A espécie se
reproduz em casais e haréns formados por dois machos e preferencialmente duas fêmeas e
apresentou um sex-ratio de 1,03:1 para a região de Maraú, BA. Foram identificados padrões de
comportamentos diferentes para machos e fêmeas.

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