ETNOOCEANOGRAFIA DE PESCADORES ARTESANAIS DA COSTA NORTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Nome: Lazaro Dias Alves
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 19/03/2021
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Camilah Antunes Zappes Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Camilah Antunes Zappes Orientador
Eberval Marchioro Examinador Externo
Jacqueline Albino Examinador Interno

Resumo: A pesca artesanal marinha é uma atividade que depende essencialmente de boas condições oceanográficas (ondas e marés) e meteorológicas (ventos) para ser praticada, garantindo a captura do pescado e a segurança do trabalhador. Pescadores artesanais observam diariamente as condições oceanográficas e meteorológicas locais, elaborando previsões que condicionam a atividade. Em Farol de São Thomé, município de Campos dos Goytacazes, costa norte do estado do Rio de Janeiro, as condições oceanográficas e meteorológicas interferem no desempenho da atividade pesqueira e, portanto, pescadores artesanais dessa região precisam conhecer as condições ambientais para garantir o sucesso da pescaria e o retorno em segurança ao continente. Com isso, os serviços oferecidos pelos órgãos oficiais de meteorologia são essenciais para garantir condições seguras de pesca aos envolvidos. No entanto, é necessário a formulação de políticas públicas específicas que transponham esses serviços à um nível acessível as comunidades de pesca, que em geral possuem um baixo nível escolar. Neste sentido, o objetivo do estudo é caracterizar o conhecimento etnooceanográfico dos pescadores artesanais relacionado a meteorologia marinha; e propor subsídios para o melhor uso dos serviços meteorológicos no setor da pesca. As informações foram obtidas através da realização de 160 entrevistas guiadas por dois questionários semi-estruturados em duas etapas de campo (outubro-novembro de 2016 e junhoagosto de 2018). Os dados da primeira etapa foram remanescentes de estudo anterior. Os pescadores artesanais realizam previsões de três principais variáveis marinhas (ventos, ondas e marés), pois interferem diretamente no desempenho do embarque. Previsões elaboradas através do conhecimento etnooceanográfico (100%; n= 80) foram correlacionadas com as previsões dos órgãos oficiais de meteorologia para identificar convergências e divergências entre elas. As previsões relacionadas a ‘intensidade dos ventos’ foram concordantes em 58.7% (n = 47) e discordantes em 41.3% (n = 33) das entrevistas. As previsões relacionadas a ‘altura de ondas’ foram concordantes em 42.5% (n = 34) e discordantes em 57.5% (n = 46). Já as previsões relacionadas a ‘altura das marés’ foram concordantes em 82.5% (n= 66) e discordantes em 17.5% (n= 14). As marés são classificadas em 8 grupos de acordo com o conhecimento etnooceanográfico: 1) Marés vivas; 2) Marés mortas; 3) Marés de quebramento; 4) Marés de lançamento; 5) Marés cheias; 6) Marés secas; 7) Marés de pardo e 8) Marés de padejar. Nos dias em que a altura das ondas variou de 0.6 m a 0.7 m, poucos navios (n = 12) estavam atracados. Nos dias em que a altura das ondas variou de 1.2 m a 2.1 m, muitas (n = 113) embarcações estavam atracadas, principalmente embarcações menores (até 10 m). A implementação de um canal de divulgação acessível das previsões meteorológicas disponibilizadas pelos principais órgãos de meteorologia, pode atuar minimizando os riscos os quais os pescadores artesanais estão submetidos durante o embarque.

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