INFLUÊNCIA DA SEDIMENTAÇÃO TERRÍGENA NO TALUDE DA
PORÇÃO NORTE DA BACIA DO ESPÍRITO SANTO DURANTE O FINAL

DO PLEISTOCENO E HOLOCENO.

Nome: JORDAN SYLLAS SARAIVA LEITE

Data de publicação: 30/10/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ALEX CARDOSO BASTOS Presidente
CHRISTIAN MILLO Examinador Externo
CLEVERSON GUIZAN SILVA Examinador Externo

Resumo: Após o Último Máximo Glacial houve um processo eustático de variação do nível do mar,
levando a um processo transgressivo e a ocorrência de eventos milenares e centeniais que controlaram
as taxas de subida do nível do mar e o clima global. Esses eventos resultam de mudanças que
ocasionaram períodos de resfriamento e aquecimento das temperaturas globais. Diversos estudos
relacionam esses eventos a mudanças no aporte terrígeno para margens continentais no mundo todo
durante a última deglaciação. Neste contexto, este trabalho focou em analisar registros de
sedimentação terrígena presentes em dois testemunhos cedidos pela PETROBRAS/ANP ao projeto
PaleoBat (LABOGEO – UFES), coletados na região do talude sul de Abrolhos, em profundidades de
-1128m e -2264m. O objetivo é entender o contexto da variabilidade nos processos sedimentares que
atuaram para a formação destes depósitos e a geocronologia dos depósitos sedimentares presente em
ambos os testemunhos. O intervalo estudado corresponde aos primeiros 4 metros de cada testemunho.
A sub-amostragem foi feita em intervalos de 10cm para análises granulométricas, teor de CaCO3 e
fluorescência de Raio-x. Também foram realizadas datações por 14C em foraminíferos planctônicos e
as idades obtidas nesta análise foram calibradas pela curva Marine20, usando um Delta R de -285 ±
56. O testemunho GL-1267 mostra 3 fácies sedimentares bem demarcadas, sendo uma fácies de Lama
Carbonática (LC) na base, sobreposto por uma fácies de Lama Terrígena (LT) com 3,06 m de espessura
e altos valores de proxies terrígenos, e uma fácies de Marga (MG) no topo do testemunho. O
testemunho GL-1271 também mostrou 3 fácies sedimentares, sendo a fácies MG na base, sobreposta
pela fácies LT com 1,15 m de espessura, e uma fácies de Marga Calcárea (MGC) no topo. Os resultados
mostram que os depósitos referentes à fácies LT são de fato terrígenos, e são únicos e distintos nos 2
testemunhos. Essa interpretação pode ser feita através da diminuição dos teores de carbonato de cálcio
(~5% no GL-1267 e ~8% no GL-1271), e também em relação às razões ln(Fe/Ca) e ln(Ti/Ca) que
constituem importantes proxies de aporte terrígeno. Os resultados para a razão ln(Al/Si) mostram que
os sedimentos depositados na fácies LT representam uma fonte de sedimentos finos com elevado grau
de intemperismo químico. Nosso modelo de idade indica que o início da deposição terrígena na área
de estudo ocorreu ainda no início do Younger Dryas (~12.900 AP) mas os maiores pulsos de
sedimentação terrígena estão relacionados ao fim deste período, com uma diminuição brusca nos
valores de ln(Fe/Ca) e ln(Ti/Ca) do GL-1267 relacionados ao início do Pulso de degelo 1B (~11.450 a
11.100) e seguido por uma diminuição gradual nos valores dessas razões em linha com a subida gradual
do nível do mar em direção ao Holoceno inferior – médio, para ambos os testemunhos. Em síntese, a
fácies LT em ambos os testemunhos parece indicar um possível evento de grande intensidade ou um
intervalo de grande aporte terrígeno para o talude da BES, possivelmente através do sistema turbidítico
do Rio Doce, alcançando até a base do talude inferior. Porém, considerando a morfologia da região de
estudo, não é descartada a possibilidade de alguma contribuição terrígena oriunda da drenagem da
região da Depressão de Abrolhos, através do Canal Besnard. Trabalhamos aqui com a hipótese de que
a formação desses pacotes sedimentares tenha ocorrido devido à desestabilização e/ou remobilização
de depósitos terrígenos previamente estabelecidos sobre a plataforma continental externa,
desencadeada pelo rápido afogamento da plataforma ao final do YD.

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