“Identificação por
DNA barcoding de espécies de elasmobrânquios comercializadas como cação no
Sudeste do Brasil”.

Nome: ALINE ZANCHETTA CORRES

Data de publicação: 01/04/2026

Banca:

Nome Papelordem decrescente
ILKA SIQUEIRA LIMA BRANCO NUNES Examinador Externo
JONES SANTANDER NETO Examinador Interno
NATALIA PRISCILA ALVES BEZERRA Presidente

Resumo: Elasmobranchii é uma subclasse de peixes cartilaginosos que engloba os tubarões e raias. Em decorrência da sua
estratégia de vida e ameaças como a pesca ilegal e não monitorada , destruição de habitat e alterações climáticas,
cerca de um terço dessas espécies estão ameaçadas de extinção. No Brasil, muitas espécies de elasmobrânquios
são comercializadas descaracterizadas anatomicamente (em postas ou sem nadadeiras) apenas com a
nomenclatura de "cação", um termo genérico aceito comercialmente que mascara a identificação das espécies e
oculta o comércio de espécies ameaçadas, trazendo prejuízo para a preservação do grupo e dos
ecossistemas. Diante dessa problemática, o uso de ferramentas moleculares como o DNA barcoding tem se
tornado uma importante solução para identificar espécies comercializadas, mesmo após a perda de suas
características morfológicas. A fim de avaliar a presença de espécies ameaçadas em comércios da região sudeste
do Brasil, 153 amostras identificadas como cação ou caçonete foram coletadas em três estados diferentes (Rio de
Janeiro, São Paulo e Espírito Santo), em locais como feiras livres, peixarias e supermercados, entre o período de
maio de 2024 a maio de 2025. A identificação das espécies foi realizada através do alinhamento de trechos do
marcador molecular Citocromo Oxidase I contra o banco National Center of Biotechnology Information, assim
como filogenias de Máxima Verossimilhança. Diante da desinformação gerada através do uso de um termo
genérico para designar tubarões e raias e da necessidade de entender como essa problemática performa para a
população, foi realizada uma pesquisa com um questionário online na plataforma Google Forms, para avaliar as
percepções de consumidores e não consumidores acerca do termo “cação” e aspectos ambientais relacionados
aos tubarões e raias. Os resultados geraram a identificação de 11 espécies de elasmobrânquios e indicaram a
presença de oito espécies ameaçadas, das quais duas (Atlantoraja castelnaui e Squatina guggenheim) são
espécies endêmicas do Atlântico Sul e estão criticamente ameaçadas (CR). As espécies do gênero
Rhizoprionodon foram as mais abundantes, representando aproximadamente 34% do total de amostras
analisadas, seguida por Prionace glauca (~21%) e Sphyrna lewini (~10%). Ainda, seis casos de fraude foram
identificados na amostragem, em que as espécies de peixes ósseos Anisotremus surinamensis, Makaira
nigricans, Oreochromis mossambicus, Pangasianodon hypophthalmus e Xiphias gladius foram comercializadas
como cação. Em relação ao questionário, foram obtidas 158 respostas, revelando que 86,1% dos participantes já
consumiram “cação” mas que apenas 23,4% disseram consumir carne de raia e 43% de tubarão, demonstrando a
desinformação envolvida no consumo dessa proteína. Ao ampliar o conhecimento sobre a identidade do
consumo de elasmobrânquios, este estudo gera evidências relevantes que contribuem para subsidiar ações de
educação e estratégias de conservação de tubarões e raias.

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