“Mapeamento e Caracterização dos Habitats Marinhos Bentônicos de Abrolhos”

Resumo: Este projeto está inserido na Rede Abrolhos-SISBIOTA do CNPq
O mapeamento dos habitats bentônicos de Abrolhos, realizado pelo grupo de pesquisa multidisciplinar mencionado acima, vem revelando uma grande heterogeneidade de fisionomias bentônicas (Klein et al., 2008 e 2009), muito maior do que aquela previamente conhecida. Tais fisionomias apresentam uma riqueza de ambientes dominados por corais mesofóticos vivendo abaixo dos 30 m de profundidade, bem como extensos bancos de rodolitos (nódulos calcários compostos principalmente por algas coralináceas incrustantes) na porção média e externa do banco. A ocorrência de uma elevada biodiversidade associada a substratos consolidados em regiões mais profundas, bem como a ocupação desses ambientes mesofóticos por espécies que desempenham papéis-chave nos ambientes costeiros, devem ser indicadas como de grande importância para a manutenção da diversidade e produtividade da região, sendo necessária uma maior atenção quanto ao seu papel ecológico e sua influência na dinâmica de meta-populações. Monitoramentos feitos durante mais de 30 anos no Caribe mostram que recifes mesofóticos tendem a sofrer menos com as mudanças climáticas que os recifes mais rasos (Lesser et al. 2009). Da mesma forma, as áreas profundas de Abrolhos, dominadas por bancos de rodolitos e recifes mesofóticos, podem servir como refúgios para corais e peixes, mantendo a resiliência e a conectividade entre os ambientes, através do fluxo larval entre populações mais (costeiras) e menos (mesofóticas) impactadas por fatores antropogênicos e câmbio climático (e.g. Riegel & Piller, 2003).

O mapeamento de habitats se torna, desta forma, uma ferramenta fundamental para o melhor entendimento desta parcela da biodiversidade bêntica marinha. A influência dos tipos de substrato, sua geomorfologia e seus índices de mobilidade são parâmetros que podem definir o potencial de distribuição dos habitats bentônicos, apoiando medidas de gestão, inclusive o planejamento de áreas marinhas protegidas (Roff et al., 2003; Hemer, 2006; Greene et al., 2007).

A aplicação de técnicas de mapeamento acústico vem sendo amplamente usada na determinação da variabilidade espacial da distribuição de habitats marinhos (Wilson et al., 2007; Brown and Blondel, 2009). Sistemas como sonar de varredura lateral e batimetria de multi-feixe vêm sendo aplicados em conjunto com a aquisição de verdades de campo (ground-truthing) para a determinação dos tipos de fundo e sua associação o zoo e o fitobentos. Da mesma forma, a determinação de índices de exposição e mobilidade do fundo marinho, que influenciam efetivamente a distribuição da biodiversidade, podem ser usados para produzir mapas de perturbações ecológicas por eventos de freqüências variadas (tempestades, por exemplo) (Hemer, 2006; Huang et al., 2010).

Além do mapeamento da estrutura física dos habitats de fundo, é fundamental o detalhamento básico desses habitats. Para isso, a utilização de métodos que permitam o acesso a comunidades da zona mesofótica (entre 20 e 120 m de profundidade), como o mergulho técnico e a utilização de sistemas de vídeo submersível controlado (ROV), permitirão o aprofundamento do conhecimento sobre a estrutura, composição e dinâmica das comunidades bentônicas do Complexo dos Abrolhos. A qualificação de nossa equipe e a aquisição de um ROV serão de fundamental importância para a realização das observações, amostragens e coletas a serem realizadas neste projeto.

Embora três grandes domínios tenham sido definidos até agora no Banco dos Abrolhos (fundos inconsolidados, estruturas recifais e fundos de rodolitos), observou-se que várias feições geológicas são tipicamente habitas distintos, tais como paleovales, depressões circulares (buracas), pináculos isolados (chapeirões), pináculos coalescidos, etc.

Data de início: 2012-06-01
Prazo (meses): 24

Participantes:

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Coordenador Alex Cardoso Bastos
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