DIETA e Ecologia Alimentar do Boto-cinza, Sotalia Guianensis
cetacea: Delphinidae) na Região do Banco dos Abrolhos, Costa
central do Brasil

Nome: Vitor Leonardo Amaral Rodrigues
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 10/03/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Ana Paula Cazerta Farro Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Ana Paula Cazerta Farro Orientador
Jean-Christophe Joyeux Examinador Interno

Resumo: No presente estudo, foi avaliada a dieta e ecologia alimentar do boto-cinza
(Sotalia guianensis) na região do Banco dos Abrolhos por meio da análise dos
conteúdos estomacais de 42 indivíduos encalhados entre 2003 e 2012. As
presas foram identificadas ao menor nível taxonômico por meio de estruturas
rígidas (otólitos saggita e bicos de cefalópodes) e quantificadas em número,
tamanho e biomassa. Os peixes ósseos foram as principais presas
consumidas, seguidos por cefalópodes e crustáceos. Foram identificados 37
táxons sendo 33 peixes ósseos, dois cefalópodes e dois crustáceos. As
principais presas identificadas foram I. parvipinnis, S. rastrifer, Bagre sp.,
Macrodon sp., T. lepturus, e Mugil sp. Foi observado um padrão ontogenético
na dieta, de modo que, os juvenis consumiram presas menores e apresentaram
uma dieta menos diversa que os adultos. A composição da dieta também
apresentou um padrão sazonal. O peixe-espada (T. lepturus), as lulas
(Loliginidae) e a pescada-foguete (I. parvipinnis) foram mais abundantes no
verão; o bagre (Bagre sp.) e a tainha (Mugil sp.) predominaram no
inverno/outono; já o cangoá (Stellifer sp.) e a pescadinha (Macrodon sp.) foram
mais abundantes na primavera. Este estudo encontrou evidências que o
boto-cinza possui uma estratégia alimentar generalista e oportunista na região
estudada, já que, apresentou um amplo espectro alimentar, baixa dominância
para a maioria das presas e uma alta variação da dieta entre os indivíduos. A
classificação ecológica das presas revelou que os principais táxons
consumidos são de origem demersal, ocorrem em fundos inconsolidados e
utilizam o ambiente estuarino. Também houve grande contribuição de presas
que emitem sons reforçando a hipótese que este golfinho também detecta suas
presas por audição e/ou eletrorecepção passiva. Este estudo descreve pela
primeira vez a dieta do boto-cinza na região do Banco dos Abrolhos além de
abordar aspectos relevantes sobre a ecologia trófica da espécie tais como:
ontogenia, sazonalidade, estratégia alimentar e variação individual.

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