LIPÍDEOS NA AVALIAÇÃO DE UM ESTUÁRIO TROPICAL PRESERVADO CONTORNADO POR MONOCULTURA DE EUCALIPTO

Nome: Caroline Fiório Grilo
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 25/04/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Renato Rodrigues Neto Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Marcelo Correa Bernardes Examinador Externo
Marcia Caruso bícego Examinador Externo
Mônica Maria Pereira Tognella Examinador Interno
Renato Rodrigues Neto Orientador
Valéria da Silva Quaresma Examinador Interno

Resumo: No município de Aracruz, Espírito Santo, encontra-se a Reserva Biológica de Manguezais dos Rios Piraquê-Açu (braço norte) e Piraquê-Mirim (braço sul), que possui 1.651 ha de preservação de manguezal, o maior do estado e o quinto maior da América do Sul. A presença de campos petrolíferos nas proximidades da costa é um fator preocupante. Outros processos que podem influenciar a qualidade e quantidade da matéria orgânica nos estuários são: intervenções como a substituição da cobertura vegetal original do solo por agricultura, monocultivo de eucalipto e o desenvolvimento urbano e industrial. Neste trabalho três testemunhos foram coletados e analisados com o objetivo de averiguar a evolução do estuário quanto às mudanças no aporte da matéria orgânica, influência da monocultura de eucalipto, aporte de esgoto doméstico e às mudanças relativas aos aportes marinhos. Para auxiliar nas avaliações também foram analisadas folhas de mangue (Rizophora mangle, Avicennia schaueriana e Laguncularia racemosa) e eucalipto (Eucalyptus sp). Foram realizadas análises molecular e isotópica de n-alcanos nas folhas e sedimentos, análise molecular de esteróis e triterpenóides em folhas e sedimentos e análise elementar de Carbono e Nitrogênio nos sedimentos. A análise isotópica e molecular dos n-alcanos das folhas de mangue indicou que, apesar de sua abundância na região, a espécie R. mangle não é uma fonte importante de n-alcanos, enquanto que folhas senescentes de todas as espécies apresentaram maior probabilidade de contribuição. Também foi possível averiguar que a composição isotópica de n-alcanos nas folhas de mangue está correlacionada com a eficiência do uso da água decorrente do estresse salino associado ao seu efeito no aparato fotossintético. Apesar da ampla cobertura vegetal de eucalipto no entorno do estuário nenhum indício deste aporte foi identificado nos testemunhos analisados, e como esperado, a principal fonte de matéria orgânica foram os mangues. No entanto pulsos de aporte de matéria orgânica marinha foram identificados em algumas profundidades e indicaram aumento da influência marinha. Enquanto que os n-alcanos indicaram a importância da contribuição de macrófitas aquáticas marinhas, os esteróis e triterpenóides indicaram a contribuição de fito e zooplâncton. Sinais de aporte antrópico recente oriundos do despejo de efluentes domésticos foram encontrados somente nos primeiros centímetros do testemunho do Piraquê-Mirim. Ainda, a ausência de marcadores fecais na confluência sugeriu que este aporte encontra-se restrito a este braço e/ou a deposição de particulados proveniente do braço sul não é sedimentado na desembocadura do estuário. Nenhum aporte antrópico foi identificado no braço Piraquê-Açu, o que confirma seu estado preservado.

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