ORIGEM da Matéria Orgânica em uma Sucessão Deposicional na Área de Sedimento de Maior Conteúdo Orgânico no Estuário do Piraquê-açu (aracruz, Es)

Nome: Alexandra Mara Cruz Lage
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 12/07/2011
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Renato Rodrigues Neto Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Alex Cardoso Bastos Suplente Interno
Marcelo Cohen Examinador Externo
Mônica Maria Pereira Tognella Examinador Interno
Renato Rodrigues Neto Orientador

Resumo: O objetivo do estudo consistiu na determinação da quantidade e qualidade da matéria orgânica, dos sedimentos
do estuário Piraquê-açu (ES, Brasil), por meio de análises de marcadores moleculares. As análises foram
realizadas em um testemunho de 51 cm datado em 500 A.P (1510 -2010 d.C.) coletado na região de maior
conteúdo orgânico. Em todo o testemunho marcadores de vegetação terrestre foram abundantes como os nalcanos
n-C29 e n-C27, os ácidos graxos C28, C26 e C24. Mais especificamente, marcadores típicos das folhas de
mangue Rhizophora mangle foram abundantes como os ácidos graxos C16, C18 e os triterpenóides taraxerol e β-
amerina. Para melhor entender o aporte da R. Mangle criou-se o Índice de Contribuição Orgânica do Manguezal
(ICOM) ((β-amerina/taraxerol)/n-C29) que é baseado nos valores encontrados em suas folhas. As variações nos
valores do ICOM e das concentrações de n-C29, C16 e taraxerol foram associadas à colonização da Bacia do
Piraquê-Açu e a um evento climático ocorrido entre 1500 e 1900 d.C. conhecido como Pequena Era do Gelo (Little
Ice Age - LIA-). A LIA caracterizada por ser um período mais seco e com temperaturas globais abaixo da média
atual (-0,5ºC) promoveu alterações na distribuição de chuvas, na circulação termohalina, na dinâmica sedimentar
dos estuários e no aporte orgânico oriundo de mangue, como já registrado em muitos países do Hemisfério Norte
e alguns países do Hemisfério Sul. Assim, como consequência da LIA o estuário do Piraquê-Açu teve períodos de
maior e menor desenvolvimento da vegetação de mangue o que permitiu a divisão do testemunho em três zonas.
Zona A (1510-1670 d.C.): período mais intenso da LIA que ocasionou a redução da contribuição orgânica do
manguezal; Zona B (1680-1880 d.C.): contribuição da matéria orgânica do mangue muito variável em função do
período menos intenso da LIA e, do incremento do aporte orgânico terrestre de outros vegetais superiores devido
ao desmatamento da vegetação da Bacia do Piraquê-Açu; Zona C (1890 -2010 d.C.): período pós LIA que
proporcionou um maior aporte de matéria orgânica oriunda do manguezal em função do retorno do clima mais
úmido e de temperaturas mais elevadas. As variações do ICOM também podem estar relacionadas com a
colonização da bacia hidrográfica. Em torno de 1860 e de 1880 d.C. este índice atinge valores mais altos, o que
está associado a criação de fazendas no interior da Bacia do Piraquê-Açu em função da chegada de 360 famílias
italianas em 1870 d.C. Apesar de inferiores ao de 1870 d.C, valores mais altos do ICOM também ocorreram entre
1680 e 1730 d.C e podem estar associados ao surgimento de aldeiamentos Jesuítas e de doações de terra para
plantio de cana-de açúcar, café e outros cultivos durante o período colonial.

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